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Curso qualifica e ajuda vítimas de violência a recuperar a autoestima
09-03-2016 - 07:35

*Maria, uma das 18 participantes do curso "Possibilidades Gastronômicas com a Carne Suína" voltado para vítimas de violência e idealizado pelo Governo do Estado, tem uma vida marcada pela violência doméstica, com ameaças e agressões verbais dos homens que fazem parte de sua história. Cozinheira de uma creche, ela fez o curso para se especializar e aprender mais sobre uma culinária que pouco dominava, mas o projeto lhe proporcionou muito mais que qualificação e perspectiva de uma melhora na vida profissional. Com o curso ela resgatou a sua autoestima e despertou sonhos que estavam adormecidos há muito tempo.

Sua história de vida sempre foi marcada pela superação. Quando criança, seu pai arrumou outra mulher e a expulsou de casa juntamente com sua mãe. Sem a ajuda financeira do pai e o contato com o irmão, que ficou sob os cuidados paternos, elas se viravam com o trabalho da mãe e ajuda de parentes. Quando sua mãe se casou de novo, o padrasto, um homem trabalhador e de boa convivência no dia a dia, se mostrava agressivo quando bebia. “Ele nunca chegou a me bater porque toda vez que eu escutava ele gritando do portão, eu sabia que estava bêbado e fugia correndo para não apanhar”, relembra Maria.

Não foram poucas as vezes que presenciou o medo da mãe, tendo que esconder do padrasto, facas e outros objetos que ofereciam riscos para não ser atingida. As ameaças e as fugas de casa duraram até o momento em que a mãe se separou e nunca mais tiveram notícias dele.  Quando Maria completou dez anos, sua mãe ficou doente e começou a beber, dando à garotinha a responsabilidade de ajudar a cuidar da irmã caçula, filha do padrasto. Em épocas mais difíceis, Maria pedia comida nos mercados, aproveitando os descartes para não passar fome. Foi também nessa fase que o pai voltou a se aproximar da filha com o intuito de levá-la para morar com ele. Sua mãe recusou a investida e pediu à madrinha de Maria que desse abrigo e cuidasse da menina.

Na casa da madrinha, Maria finalmente pode ter a experiência de conviver com uma família estabilizada. Foi com os pais e irmãos de criação que viveu uma das melhores fases de sua vida. Saiu para casar, aos 22 anos, união que entre idas e vindas durou 14 anos e gerou dois filhos. Ao lado do marido, um homem violento e que teve várias amantes ao longo do casamento, teve uma vida infeliz. Quando resolveu dar um basta depois de várias humilhações, ele ameaçou matá-la e disse que não assinaria os papéis da separação.

“Com o curso vi que não estava sozinha”

Sem conseguir o divórcio, Maria se trancava no quarto com os filhos toda vez que o marido chegava da rua bêbado e brigando. Começou a vender espetinho na porta de casa para sustentar as crianças, já que o esposo não punha mais comida em casa. “Eu chorava escondida com os problemas e só desabafava com os mais amigos. Sou uma pessoa discreta, que não gosta de discussão, de dar vexame para os vizinhos. Meu sofrimento é camuflado. Com o curso vi que não estava sozinha no mundo e conheci outras mulheres com as quais pude me abrir e conhecer suas histórias, descobrindo que tem vidas mais sofridas que a minha. Pelo menos eu nunca apanhei, nem fui espancada”, desabafa.*Maria, uma das 18 participantes do curso "Possibilidades Gastronômicas com a Carne Suína" voltado para vítimas de violência e idealizado pelo Governo do Estado, tem uma vida marcada pela violência doméstica, com ameaças e agressões verbais dos homens que fazem parte de sua história. Cozinheira de uma creche, ela fez o curso para se especializar e aprender mais sobre uma culinária que pouco dominava, mas o projeto lhe proporcionou muito mais que qualificação e perspectiva de uma melhora na vida profissional. Com o curso ela resgatou a sua autoestima e despertou sonhos que estavam adormecidos há muito tempo.

Sua história de vida sempre foi marcada pela superação. Quando criança, seu pai arrumou outra mulher e a expulsou de casa juntamente com sua mãe. Sem a ajuda financeira do pai e o contato com o irmão, que ficou sob os cuidados paternos, elas se viravam com o trabalho da mãe e ajuda de parentes. Quando sua mãe se casou de novo, o padrasto, um homem trabalhador e de boa convivência no dia a dia, se mostrava agressivo quando bebia. “Ele nunca chegou a me bater porque toda vez que eu escutava ele gritando do portão, eu sabia que estava bêbado e fugia correndo para não apanhar”, relembra Maria.

Não foram poucas as vezes que presenciou o medo da mãe, tendo que esconder do padrasto, facas e outros objetos que ofereciam riscos para não ser atingida. As ameaças e as fugas de casa duraram até o momento em que a mãe se separou e nunca mais tiveram notícias dele.  Quando Maria completou dez anos, sua mãe ficou doente e começou a beber, dando à garotinha a responsabilidade de ajudar a cuidar da irmã caçula, filha do padrasto. Em épocas mais difíceis, Maria pedia comida nos mercados, aproveitando os descartes para não passar fome. Foi também nessa fase que o pai voltou a se aproximar da filha com o intuito de levá-la para morar com ele. Sua mãe recusou a investida e pediu à madrinha de Maria que desse abrigo e cuidasse da menina.

Na casa da madrinha, Maria finalmente pode ter a experiência de conviver com uma família estabilizada. Foi com os pais e irmãos de criação que viveu uma das melhores fases de sua vida. Saiu para casar, aos 22 anos, união que entre idas e vindas durou 14 anos e gerou dois filhos. Ao lado do marido, um homem violento e que teve várias amantes ao longo do casamento, teve uma vida infeliz. Quando resolveu dar um basta depois de várias humilhações, ele ameaçou matá-la e disse que não assinaria os papéis da separação.

“Com o curso vi que não estava sozinha”

Sem conseguir o divórcio, Maria se trancava no quarto com os filhos toda vez que o marido chegava da rua bêbado e brigando. Começou a vender espetinho na porta de casa para sustentar as crianças, já que o esposo não punha mais comida em casa. “Eu chorava escondida com os problemas e só desabafava com os mais amigos. Sou uma pessoa discreta, que não gosta de discussão, de dar vexame para os vizinhos. Meu sofrimento é camuflado. Com o curso vi que não estava sozinha no mundo e conheci outras mulheres com as quais pude me abrir e conhecer suas histórias, descobrindo que tem vidas mais sofridas que a minha. Pelo menos eu nunca apanhei, nem fui espancada”, desabafa. 

O segundo casamento trouxe a paz que há muitos anos ela não sentia. O marido era calmo e caseiro e juntos montaram uma lanchonete. A filha que adotaram trouxe um novo ânimo para a casa. A criança de um ano e cinco meses realizava o sonho de ambos de serem pais de uma menina – já que o marido também tinha dois rapazes de outro casamento. Tudo desmoronou quando, depois de constantes perdas de peso e recorrentes problemas de saúde, descobriram que ele tinha HIV, transmitido por meio de relação homossexual.

“Quando nos separamos eu demorei muito tempo para me recuperar. Sofri demais, não queria acreditar no que aconteceu. Nunca passou na minha cabeça ser trocada por um homem, me senti um nada como mulher. Apesar de não ter me transmitido a doença, fazer todos aqueles exames foi muito humilhante. Mesmo estando separados, nós vivemos bem por mais de 20 anos e eu tenho um carinho muito grande por ele. Sofri muito quando ele esteve internado”, desabafa, afirmando que perdoou o ex-marido e hoje eles mantém um contato próximo por causa da filha e do buffet da irmã dele, no qual ambos trabalham esporadicamente.

Esperança e expectativas

Além de todas as dificuldades que viveu com os dois casamentos, Maria ainda enfrenta problemas com um dos filhos, que entrou no mundo do álcool e das drogas, revoltado com o abandono do pai. Com a doença do padrasto, que foi quem o criou, as coisas pioraram. O filho não trabalha e é pai de cinco crianças, das quais três são criadas por Maria. Mesmo nunca tendo a agredido fisicamente, o filho às vezes fica transtornado quando bebe e Maria, “no seu papel de mãe”, o enfrenta na esperança de fazê-lo enxergar que suas atitudes refletem no comportamento dos netos. “Ele grita, mas nunca me ameaçou. Agora graças a Deus está fazendo um tratamento e tenho esperança que as coisas vão melhorar”, diz confiante.

“Sonhar novamente”

Foi por meio do programa Rede Cidadã, da Secretaria de Segurança Pública, que atende um dos netos de Maria, um menino de oito anos agressivo, “em reflexo ao comportamento do pai”, que Maria ficou sabendo do curso de culinária e aceitou frequentá-lo.  A experiência resultou em novas aspirações e em uma melhora na autoestima, recuperando uma vaidade que há muito não tinha. “Aprendi muito, o curso foi ótimo. Nem sabia que dava para fazer carne de porco recheada, rocambole. Também adorei o dia de beleza, fizemos escova, chapinha, me maquiei e vi que ainda posso ser bonita. O curso me fez sonhar novamente, voltou o meu desejo de cozinhar para fora, montar outra lanchonete e colocar toda a família, de forma unida, para trabalhar comigo. Quero um pouco de sossego e paz”. 

A responsável pela inserção de Maria no curso, a coordenadora sociocultural do programa Rede Cidadã, Sandra Gusmão, ressaltou que o projeto, além de qualificar em uma área onde a maioria dos cursos é caríssima, a gastronomia, fez com que as mulheres voltassem a se sentir como seres humanos. “É o Estado fazendo a parte dele, de resgatar essas mulheres e não jogá-las pro canto, achando que elas não tem capacidade de superar. Não foi um processo fácil de convencimento dessas mulheres a participarem do curso, foi uma abordagem muito minuciosa. Mas é gratificante ver a transformação delas, de tirá-las da paralisia, delas voltarem a ter confiança de que conseguem”.

Superação e emancipação

O secretário de Trabalho e Assistência Social, Valdiney de Arruda, explica que este é justamente o propósito da Setas, uma das secretarias responsáveis pelo curso, o de garantir a emancipação dessas mulheres, tanto na questão de qualificação profissional, quanto na autoestima. “Pela qualificação conseguimos dar a elas condições de se estruturarem emocional e financeiramente e retomarem a vida de cabeça erguida. É um olhar diferenciado para este público, fazendo valer a determinação do governador Pedro Taques de não deixar nenhum cidadão para trás”, considerou. 

Um novo formato de qualificação profissional, atendendo em especial mulheres em situação de vulnerabilidade social, deve ser desenvolvido neste ano pelo governo estadual, de acordo com a primeira dama Samira Martins, coordenadora do Núcleo de Ações Voluntárias. “Essas mulheres precisam de oportunidade, de aprenderem um novo ofício para se sentirem inseridas, recuperando assim a dignidade e a autoestima”.

Possibilidades gastronômicas com a carne suína

O curso foi realizado em uma parceria entre Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas), Núcleo de Ações Voluntárias do Estado, Polícia Militar, Rede Cidadã, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial e a Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) e foi oferecido em novembro com 60 horas/aula. As aulas abordaram cortes e arte no preparo da carne suína, além de matemática básica, formação de custo e atitudes que diferenciam o profissional no mercado de trabalho. O curso será totalmente finalizado com a publicação de um livro de receitas produzidas pelas participantes, que está sendo preparado e deverá ser lançado neste ano.

Fonte: mtgov
 
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