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Avião em praça ajudou a salvar vidas, transportar alimentos e teria sido de Eike
24-06-2017 - 09:35

Duas máquinas muito utilizadas e cruciais para a colonização do município de Alta Floresta tornaram-se hoje, décadas depois, pontos turísticos da cidade. Um deles é o avião Douglas DC-3 versão cargueiro C-47, de fabricação norte-americana, e outra é a caldeira de fabricação alemã e instalada por um austríaco, conhecido apenas como Saneck, e fartamente utilizada em uma das principais atividades econômicas do lugar no início da colonização, a extração do ouro.

Fabricada pela família Fitipaldi (sim, dos pilotos Emerson e Wilson), funcionou a pleno vapor e parou definitivamente em 1982, com a chegada dos motores termoelétricos.

O avião, fabricado em 1942, era da Cruz Vermelha Internacional, foi utilizado na Segunda Grande Guerra e acabou indo parar nas mãos da Força Aérea de Belém (PA). Os pioneiros da cidade, próximo do fim dos anos 1970, resolveram comprar a aeronave por causa da expansão da cidade e também devido descoberta recente de ouro.

Ele era utilizado pra tudo, transporte de colonos, garimpeiros e, claro, muita carga. “Nessa época, Eike Batista veio para Alta Floresta, começar sua fortuna. Junto com seu Benedito, ele tinha uma mineradora chamada São Benedito. Tinha algumas pistas de pouso, para transportar ouro e mineiros, eles compraram esse avião”, conta o guia turístico Josimar Rodrigues da Silva.

Voou cinco anos, entre 1980 e 1985 - uma boa parte como linha comercial. Em períodos chuvosos, que duram seis meses, a cidade acaba ficando vazia, mas nos tempos secos e com fartura de sol, quando na era do ouro, Alta Floresta chegou a ter mais de 100 mil moradores. Todos trazendo consigo vivências e também doenças como a coqueluche. Um surto dessa doença foi combatido, uma vez mais, com o uso do avião.

“As pessoas iam até certa altura dentro do avião e lá tomavam a dose de um remédio”, revela o guia, explicando que a aeronave era utilizada pra tudo, até mesmo o transporte de gado. À época,  o avião pertencia aos pilotos Wilson Clever Lima e William José Lima, conhecidos como Irmãos Metralha (últimos donos da máquina).

Devido a essa importância, o avião, após ser desativado, começou a ser requisitado. A ideia era que se tornasse patrimônio. Em meio à discussão, O Douglas DC3 versão C-47 - que já não voava - acabou sendo depredado e teve peças roubadas. 

Passou alguns anos abandonado em frente ao Aeroporto de Alta Floresta e seria doada ao Museu da TAM, mas o Ministério Público interviu e conseguiu a doação do avião ao município através dos proprietários irmãos Lima, foi quando tornou-se patrimônio histórico da cidade.

Posteriormente, já considerado da população, se tornou monumento na praça principal. Para tanto, foi restaurado, preservando os seus detalhes.

Após essa reforma, o avião foi colocado na Praça da Cultura, próximo ao Centro Cultural de Alta Floresta, canteiro central entre as Avenidas Ludovico da Riva Neto e Ariosto da Riva.

O avião recebe turistas e alunos das escolas do município que podem visitar o interior da aeronave. Todos os meses, aproximadamente 1.700 pessoas visitam o velho DC-3. Algumas destas vem de fora do país, pois a história acabou virando anedota internacional. O restante são crianças de escolas da cidade e dos municípios vizinhos.

Fonte: RDNews
 
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